sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Fundamento "A Rainha Santa Isabel" 7.º Episódio


INFANTE D. AFONSO 104
Soldados e oficiais
Faleceu o nosso Rei
Decerto eu ficarei
Acompanhem os restos mortais
Três dias de luto nacionais
E a vida continua
O funeral sai à rua
Todos vamos acompanhar
Nós vamos todos rezar
Por a alma sua.

MINISTRO CONSELHEIRO 105
À base da nossa lei
Vamos o nosso rei coroar
Vamos-lhe honras prestar
Eis aqui o nosso Rei
Queira assinar e eu assinarei
Queira as vossas ordens dar
Queira vossa Majestade assinar
Para urgente obedecer
Estamos prontos a morrer
Pela Pátria a lutar
(Fala para D. Afonso IV e dá-lhe um papel para assinar)

D. AFONSO IV 106
Sendo eu o novo Rei
Todos devem obedecer
Cada um sua obrigação fazer
E eu também cumprirei
Em breve, melhor salário lhes darei
Para viverem desafogados
Todos são bons soldados
Temos que a Pátria bem servir
Pois cada um pode ir
Aos lugares já destinados.

D. AFONSO IV 107
Juro perante esta coroa
Que cumprirei o meu dever
Sempre bom Rei, hei-de ser
E digna pessoa
Quanto à hora que Deus soa
Todos nós vamos curvar
Deus nos vai abençoar
Eu a todos sou perdão
Cada um para a sua obrigação
Podem retirar.

TODOS 108
Com vossa licença.

D. AFONSO IV 109
Viva Portugal!
(Dizem todos)

MESTRE 110
Foi assim que aconteceu
Segundo reza a nossa história
A Rainha cheia de glória
Título de santa mereceu
Ela muito se compadeceu
Por quem trabalhava e sofria
Tudo pelos pobres fazia
Por todos era adorada
Ainda hoje é lembrada
Rezamos-lhe uma AVÉM MARIA.

BANDEIRA 111
Bandeira querida adorada
Adorada querida Bandeira
É a nossa brincadeira
És a nossa querida amada
Estás ao vento desfolhada
Tens lindas cores que confundem
Dás alegria e saúde
A quem sempre te acompanhar
O Céu é o teu lugar
Cheia de glória e virtude.

MESTRE 112
Terminou o fundamento
Mas vamos mais apresentar
Os fastudos vão começar
Com o seu advertimento
Trazem eles o seu intento
De nos fazer rir um bocado
São rapazes atilados
Fazem rir sem terem graça
O Chupa Torcidas e o Carcaça
São os dois apalhaçados.
(Fala para o Povo, quando o D. Afonso se retira com a mãe).

MESTRE 113
Mas antes de começar
Vou-lhe um pedido fazer
É claro se poder ser
Não vou alguém obrigar
Sempre temos de gastar
Tudo acarreta despesa
Com minha delicadeza
Com minha canoa na mão
Peço a quem tem bom coração
Que nos ajudem com a sua franqueza.

MESTRE 114
Cada um o que quiser dar
Nós vamos agradecer
Temos que este pedido fazer
Temos coisas a pagar
Pensámos então apelar
De cada um uma ajudinha
A lembrança não é só minha
É do grupo em geral
Deitem para a roda o metal
E se quiserem uma notinha.

CANTIGA

ESTRIBILHO
I
Rainha Santa Isabel
Como ela não houve igual
Rainha Santa Isabel (canta o Grupo)
Rainha de Portugal


(canta o Mestre. Se este não tiver muito jeito para cantar, é substituído por outro elemento do grupo) A Rainha Santa foi
Uma santa cá na terra
Vejam na história a verdade
Que sempre evitou a guerra.

ESTRIBILHO
III
Rainha Santa foi
Daquelas mais virtuosas
Era Santa com certeza
Transformou pão em rosas.

ESTRIBILHO
IV
A Rainha está no céu
Em companhia dos anjinhos
Cá reza a nossa história
Com trinta mil carinhos.

ESTRIBILHO
V
A Rainha está no céu
É um ser celestial
É a Rainha da Paz
Abençoa Portugal.

ESTRIBILHO


REI D. DINIS
- Décima do grupo –
Eu era o Rei D. Dinis
Um bom Rei de Portugal
Defendi sempre o edital
De ser cristão o País
Tive um tempo infeliz
Para mim foi como o fel
Meu filho Afonso Manuel
Foi-se contra mim revoltar
Mas eu fui-lhe perdoar
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

VASSALO MOR
- Décima do Grupo –

Eu era o Vassalo do Rei
Cumpria a minha obrigação
Sempre de chicote na mão
Algumas chicotadas dei
Sempre nos escravos mandei
Desempenhei o meu papel
O meu nome é Samuel
Aqui e em toda a parte
Guerreiro é a minha arte
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

ESCRAVO 1.º
- Décima do Grupo –

Cá estamos a sofrer
Chorando lágrimas sem fim
Aquela Santa para mim
Tanto me veio socorrer
Dá-me comer e beber
Hoje só me tiram a pele
Eu e o meu companheiro Miguel
Vimos o milagre das rosas
Era das Rainhas mais bondosas
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

RAINHA SANTA ISABEL
- Décima do Grupo –

Eu tenho bom coração
Toda a gente o deve ter
Ser bom é mesmo um dever
Que temos de obrigação
Sou Isabel de Aragão
Protege-me o Anjo Rafael
Quem ao seu coração apele
Sempre somos correspondidos
Eu atendo quaisquer pedidos
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

AMANTE DO REI D. DINIS
- Décima do Grupo –

Aqui já vivo sem medo
E não preciso de Portugal
Trouxe de lá o capital
E vivo aqui em Toledo
Chegámos aqui bem cedo
Já livrámos a nossa pele
Desempenhámos o papel
Eles lá ficam lutando
Eu vou o meu filho amando
No Grupo da Rainha Santa Isabel.


SOLDADO
(Que avisa o Rei D. Dinis)
- Décima do Grupo -

Fiz parte do COMPLOTE
Para lutar contra d. Dinis
Mas eu fingindo me fiz
Eu mostrei o meu bom porte
D. Dinis era mais forte
Que o meu filho Afonso Manuel
Continuo no meu quartel
Espero de ser reformado
Sou um perfeito soldado
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

INFANTE AFONSO
- Décima do Grupo –

Fui um filho muito ingrato
Mas estou arrependido
Eu andei mesmo perdido
Eu reconheço de facto
Eu ainda de pouco tacto
Meu sangue era de fel
Mas o Anjo Rafael
Fez de mim outra pessoa
E aquela Santa tão boa
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

INFANTE AFONSO
- Décima do grupo –

Eu sou um filho bastardo
Do grande Rei D. Dinis
Fugi para aqui e bem fiz
Poderia ser atacado
Meu pai morreu, está descansado
É o Rei meu irmão, Afonso Manuel
Aqui em Toledo é meu quartel
E sinto-me aqui muito bem
Minha mãe aqui também
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

ESCRAVO 2.º
- Décima do Grupo –

A maldita escravidão
Que nunca mais acabava
Todo o dia trabalhava
E só a água e pão
Tratado como um cão
E chicotadas na pele
Eu construí um painel
Enriqueci Portugal
Santa como ela não houve igual
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

VASSALO 2.º
- Décima do Grupo –

Eu nos escravos mandei
Em mim também mandavam
Eles muito trabalhavam
Eu muita chicotada dei
Do meu companheiro não sei
Fugi para Israel
Eu sou o José Pincel
Estou sempre disposto
Vivo aqui com muito gosto
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

MINISTRO CONSELHEIRO
- Décima do Grupo –

Sou Ministro Conselheiro
De El-Rei D. Afonso Quarto
Para o povo ele é simpático
E eu ganho o meu dinheiro
Da coroa ele foi herdeiro
Desempenha o seu papel
Eu não sou nenhum painel
Faço a minha obrigação
Desempenho esta missão
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

BANDEIRA
- Décima do Grupo –
Todos dizemos… Amem
Quando em ti veneramos
Todos nós te estimamos
Tu és o símbolo aí vem
Se algum milagre aparece
É esse o seu papel
É mais doce que o mel
Para a nossa visão
Adoramos-te do coração
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

MESTRE
- Décima do Grupo –

A Rainha foi santificada
É a Rainha Santa dos Portugueses
Nós as lembramos às vezes
Em dias de nomeada
Será, será sempre lembrada
E o seu coração tão amável
Com a sua virtude incomparável
Com a sua enorme caridade
Sou mestre desta mocidade
No Grupo da Rainha Santa Isabel.

MESTRE 115
Terminou pois o fundamento
Toda a nossa apresentação
Agradeço do coração
A quem ajudou a gente
Ficámos muito contentes
Com a vossa boa atenção
Vamos retirar então
Temos que ir a outro lugar
Queiram tudo desculpar
Quanto à nossa narração.

MESTRE 116
Agradecer pois nada custa
A quem é bem educado
É recebido em todo o lado
Quem leva a moral à justa
Quem educação ajusta
É digno de ser alguém
Quem praticar qualquer bem
Por Deus será recompensado
A todos muito obrigado
Até para o ano que vem
(Bate a bateria a agradecer)

MESTRE 117
Para cumprir o meu dever
Venho aqui pessoalmente
E pode ouvir toda a gente
O que eu venho a dizer
Venho ao senhor agradecer
Porque estou reconhecido
Da rua nos ter cedido
E da vossa boa gratidão
Muito obrigado patrão
Por atender o nosso pedido

MESTRE 118
Desejo-lhe muita saúde
E à sua senhora também
Desejo-lhe todo o bem
E Deus a ambos ajude
Senhor eu o fiz o que pude
Queira-me então desculpar
Temos que ir a outro lugar
Peço a vossa autorização
Receba um aperto de mão
Muito obrigado. Vamos retirar

FIM
Nota: Quando o Mestre está a agradecer ao
“Dono da Rua”, o Grupo está disposto em duas filas paralelas. Quando acaba o agradecimento, rebenta a bateria (orquestra) e todos os elementos do agrupamento dizem: ATÉ PARA O ANO SE DEUS QUIZER.

Conversa entre o Trigo e a Erva

CARRAPATELO
Francisco Baltazar “”Ti Passinhas” (71 anos) Ano 1977 Analfabeto

Isto é a erva. É o trigo a falar por causa da erva.
Muitas das vezes abafa-o. E dá cabo da serara.
É por isso que o trigo fala:

MOTE
Ó erva tu não és boa
Nunca devias nascer
Eu sou o trigo espalhado
Para toda a gente comer
I
Ó erva tu não devias
Na terra enraizar
Vens ao mundo a brejear
Se t’apanhas regadia
Cresce de noite e de dia
Até mesmo que alguém se doa
Desgraçada da pessoa
Que tu a seara lh’abafas
Até a terra lh´estafas
Ó erva tu não és boa.
II
Se à primavera chegares
É assim que estás contente
Por isso é que há tanta gente
Que te vai a arrancar
Tu queres por força apanhar
Tudo, para mais nada viver
A posse que tu queres ter
Nunca pode ser assim
Há anos que me fazes assim
Nunca devias nascer.
III
Sou a planta mais mimosa
Que neste mundo se cria
Se Deus me dá fantasia
De me ver meu dono goza
Sou planta maravilhosa
De todos sou elevado
Tudo tenho sustentado
Sem mim não podem viver
Quero dar à erva a saber
Eu sou o trigo espalhado.
IV
Se eu um ano não nascesse
O que seria do cristão
Estando um ano sem haver pão
Talvez que tudo morresse
Se eu desaparecesse
Que não me tornassem a ver
Como é que podia ser
Durar isto muito tempo
Se eu dou pão para o sustento
Para toda a gente comer.

AGORA RESPONDE A ERVA

MOTE
Tu és trigo e eu sou erva
Nós podemos ser iguais
Tu sustentas os humanos
E eu sustento os animais.
I
Ó trigo és meu irmão
Nascido do meu vale
Tu de mim não faças caso
Que não perdes a feição
Eu também tenho razão
Que a terra é que nos conserva
Com a fresquidão da névoa
Deito raízes ao chão
Eu dou carne e tu dás pão
Tu és trigo e eu sou erva.
II
Sou planta abandonada
Nascida ao rigor do tempo
Eu contudo me contento
Com terra sem ser lavrada
Comigo não gastam enxada
Crio-me nos brejos e (vais)vales
Eu aumento os capitais
Tu encontras-me firmeza
Dou interesses sem despesa
Nós podemos ser iguais.
III
Ó trigo na tua sementeira
Tu andas sempre empenhado
Pois tu só comes prestado
Da poderosa oliveira
É assim que é a maneira
Contigo há tantos enganos
Só dás erros nos planos
E comes interesses dos prado
Que dás sustento aos humanos.
IV
Tu queres ser tão gabado
Mas não é como tu dizes
Há já muitos infelizes
Por tu não dares resultado
Já muitos se têm matado
Por perderem cabedais
Ó trigo tão falso sais
Que só dizes mal de mim
Olha que eu não sou ruim
Eu sustento os animais.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Fui Passear Ao Deserto

CARRAPATELO
Francisco Baltazar “”Ti Passinhas” (71 anos) Ano 1977 Analfabeto
MOTE
Fui passear ao deserto
Um dia que fui sozinho
Fui encontrar uma dança
Que fizeram os bichinhos.
I
Eu ouvi mas não sabia
O que no campo se passava
Um grilo também cantava
Até o campo enternecia
O ralo a voz tremia
E a cigarra tudo certo
Parecia um céu aberto
Andava o sapo em função
Pois foi na ocasião
Que eu fui passear ao deserto.
II
A (arrã) rã era solteira
Que andava lá na roda
O caracol com uma moda
Que levantava a bandeira
O alecrau fazia (premeira) primeira
A lesma vazava o vinho
O cágado com um fatinho
Toquem lá que eu dançar sei
Foi o que eu observei
Um dia que fui sozinho.
III
Foi quando eu vi uma pulga
Qu’ estava calçando uma bota
Um piolho a cavalo numa mota
E um lagarto com uma blusa
A lagartixa é o que usa
De casar ainda tem esperança
O zangão com uma balança
Para pesar o petisco
Em bichos não tinha visto
Fui encontrar uma dança.
IV
O escaravelho com uma bola
Andava cilindrando uma estrada
Qu’estava escarcalhada
Que seguia para Oriola
De lá ia p’ra (Engola) Angola
Partida de Rio de Moinhos
Os carapaus riscam os caminhos
Pertence à art’engenharia
Vi uma camioneta da carreira
Que fizeram os bichinhos.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Eu Sinto Uma Dor no Peito

ARRAIOLOS
José António Paulo (58 anos) – Ano 1977

MOTE
Eu sinto uma dor no peito
Ao lado do coração
É causada a teu respeito
Tens o remédio na mão.
I
Escutai se puder ser
Quero-te contar minha vida
Tu és a mulher mais querida
Não posso estar sem te ver.
Podes acabar de crer.
Compunhas um vaso perfeito
Não te falto ao respeito
Só tu és do meu agrado
Estou por ti apaixonado
Eu sinto uma dor no peito.
II
Escutai donzela pura
Acredita que é verdade
Na flor da mocidade
Vou-te contar minha jura
Só tu és a criatura
A quem dava a direita mão
Eu sofro de uma paixão
Já não tenho liberdade
Por ti sinto uma saudade
Ao lado do coração.
III
Amor pede à tua mãezinha
Repara o que te digo
Diz-lhe que é para falar comigo
Essa vontade é a minha
Escuta Mariazinha
Trata a tua mãe com muito jeito
Não lhe faltes ao respeito
Mas faz sempre o teu agrado
Trago o meu sentido enleado
É causado a teu respeito.
IV
Dá-me a tua fotografia
Eu doutra já não pretendo
Podes crer que eu em te vendo
Meu peito enche de alegria
Lembras-me de noite e de dia
Eu trago-te no coração
És uma rosa em botão
Eu isto afirmo em geral
Vem dar alívio ao meu mal
Tens o remédio na mão.

sábado, 27 de outubro de 2007

Fundamento "A Rainha Santa Isabel" 6.º Episódio

MESTRE 100ª
Nós temos muitas despesas
Pedimos uma ajudinha
Qualquer moedazinha
Agradecemos com delicadeza
Quem quiser ter a fineza
Podem para a roda deitar
Os fastudos vão apanhar
E vão para o saco meter
Para ver se pode ser
A nossa despesa pagar.

Cantiga
1.ª
ESTRIBILHO
Da cidade de Elvas
Vê-se Badajoz
São prados e relvas
São de todos nós
2.ª
Caminhos desertos
De antigamente
Fala toda a gente
Destes feitos certos
3.º
Foi um Português
Que na Espanha entrou
O Estandarte sacou
Firme e com altivez.

4.ª
ESTRIBILHO
Da cidade de Elvas
Vê-se Badajoz
São prados e relvas
São de todos nós
5.ª
Numa manhã fresca e bela
Firme no seu cavalinho
Por amor duma donzela
Fez este feito sozinho.
6.º
Sempre ouve a falsidade
Fecharam as portas da cidade
O Português foi apanhado
Para a Espanha foi levado
Com instintos de crueldade.
7.º
ESTRIBILHO
Da cidade de Elvas
Vê-se Badajoz
São prados e relvas
São de todos nós
8.ª
Morreu mas sem glória
O estandarte cá ficou
Sua amada se suicidou
Isto não reza a nossa história.
9.ª
São feitos passados
Não são apagados
Da mente do povo
Hoje vêm de novo
Serem recordados.
10.ª
ESTRIBILHO
Da cidade de Elvas
Vê-se Badajoz
São prados e relvas
São de todos nós
11.º
Lá o caldeirão
Cá o estandarte
A recordação
Sempre em toda a parte.
12.ª
O Governador
Foi bem compensado
Foi decapitado
Porque foi traidor
13.ª
ESTRIBILHO
Da cidade de Elvas
Vê-se Badajoz
São prados e relvas
São de todos nós
14.ª
Dois morreram por amor
Um morreu pela traição
As coisas assim se dão
Tudo tem o seu valor
Feito agora por um autor
Em jeitos de reinação.
15:ª
Viva o Grupo e a mocidade
Viva o povo em geral
Viva o nosso Carnaval
E a nossa linda cidade
É uma jóia e uma beldade
Do Alentejo é Capital
Viva o nosso Portugal
Viva! Viva a Liberdade.

AFONSO Sou soldado português
Fui o Estandarte buscar
Mas foram-me falsear
Morri! Mas só se morre uma vez
Voltas à cidade dei três
E não tocaram a rebate
Se eu tivesse um bacamarte
Não me apanhariam não
Eu fui frito num caldeirão
No Grupo do Estandarte

TERESA
- Décima do Grupo –

Contra o impulso do amor
Não deve haver contradição
Porque muda o coração
Cheio de querer e vigor
O meu pai foi um traidor
Na minha morte teve parte
Quando algum por amor se mate
Deus perdoa e vai para o céu
Sou uma noiva sem véu
No Grupo do Estandarte.

GOVERNADOR
- Décima do Grupo –

Assim fui decapitado
Tudo isto mereci
Esta sorte decidi
Eu podia ser galhardeado
Aquele valente soldado
Criou forma em toda a parte
Quem duma janela salta
Encontra morte honrosa
Assim perdi minha filha formosa
No Grupo do Estandarte.

COMANDANTE ESPANHOL
- Décima do Grupo –

Comandei a perseguição
O terror de Portugal
Contra aquele canibal
Que entrou na procissão
Muitos caíram para o chão
Nem se pode dar combate
Ouviu-se tocar a rebote
Ele o nosso pendão levou
Mas a sua ousadia pagou
No Grupo do Estandarte.

COMANDANTE ESPANHOL
- Décima do Grupo –

Aquele maldito cão
Que o nosso Estandarte levou
Este caldeirão o fritou
Aqui na nossa nação
Sendo eu o capitão
Ia disposto ao combate
Corremos por toda a parte
Nunca vimos os Lusitanos
Eles são grandes desumanos
No Grupo do Estandarte.

SOLDADO ESPANHOL
Eu fiz a perseguição
Àquele português malvado
Mas foi por nós apanhado
A história dele não reza não
Ficou a nossa Nação
Sem aquela jóia de arte
Eu chamo-me Júlia Duarte
Natural de Badajoz
De memória fica em todos nós
No Grupo do Estandarte.

VELHA
- Décima do Grupo –

Fiquei a tremelicar
Senti a espada no pescoço
Até sinto aqui um caroço
Que custo a mastigar
Eu estava a lavar
Vi o grupo de combate
Correram por toda a parte
Eu rezei o meu responso
Apanharam o Afonso
No Grupo do Estandarte.

1.º PALHAÇO
Eu fui o Papa-sal
E gosto do meu copinho
Sou filho de S. Martinho
Sou um ser divinal
Até não sei dizer mal
E toda agente me bate
Só desejo o baluarte
Quando me cai cá pela frente
Sou um rapaz bem decente
No Grupo do Estandarte.

2.º PALHAÇO
- Décima do Grupo –
Trocámos o pendão
Pelo caldeirão
E que sou
Belo azeitinho
Sabe a toucinho
E para o teu vizinho
Eu só quero vinho
E do branquinho
Beber é a tua arte
No Grupo do Estandarte

3.º PALHAÇO
- Décima do Grupo –
Foi aqui que foi fritado
Por ter o pendão roubado
Aquele maldito português
Já cá não volta outra vez
Ainda cabem cá mais três
Quem num espanhol bate
Ou mesmo que o mal trate
Vem para este caldeirão
É como o João Ratão
Cá no Grupo do Estandarte.

REI
- Décima do Grupo –
Aqui no nosso país
Não há lugar para traidores
Assim morreram dois amores
Mas eu a justiça fiz
A boca do povo diz
Que todos os traidores se mate
A hora foi de arrebate
Eu cheguei na hora H
Mas o pendão ficou cá
No Grupo do Estandarte.

ACORDEÃO
Quando puxo pelo fole
Trás sempre um tom positivo
É um som administrativo
Que não é duro nem é mole
À chuva ao vento e ao sol
Aqui e em toda a parte
Assim não há quem me bate
Eu aqui sou o melhor
Toco sempre em ré menor
No Grupo do Estandarte.

BANDEIRA
- Décima do Grupo –
Quem sabe compreenderá
Porque tens estes predicados
Teus feitos não são igualados
É Deus que condão te dá
Um anjo te guardará
Por causa do pecador
O teu lindo resplendor
Ilumina a nossa alma
Tens serenidade e calma
No Grupo do Estandarte.

MESTRE
- Décima do Grupo –

Tive a minha formação
Para isso eu estudei
Fui assim que me formei
Com a mais alta distinção
Ganhei uma condecoração
Dei provas da minha arte
Julgo que ninguém me bate
Nesta coisa de mandar
Sei me bem apresentar
No Grupo do Estandarte.

MESTRE 101.ª
Terminou sim términos
Terminar é chegar ao fim
Agradecemos o pilim
A quem nos ajudou
Gratos a todos estou
Que nos tiveram a ouvir
Nós temos que seguir
Para outro lugar
Um abraço a todos vou dar
E um adeus a sorrir.
(Fala para o Povo)
MESTRE 102.ª
Temos que ir a outro lugar
De tudo peço desculpa
Querem lá nossa presença
Caso contrário tudo caduca
Que não lhe sirva de ofensa
Cada um seu lugar ocupa
E vamos então já marchar
Quando a sua ordem soar
E de tudo peço desculpa.
(Despede-se do patrão)

MESTRE 103.º
Até para o ano se Deus quiser
Saúde e felicidade
Deseja-te esta mocidade
Para si e para a sua mulher
Que não venha a Lúcifer
Sua Excelência perturbar
Que Deus a vá acompanhar
Na sua vida presente
Estimado por toda a gente
Queira-me a mão apertar.
(Despede-se do patrão).

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A Lenda da Igreja de Nossa Senhora da Fonte Santa








Há muitos, muitos anos, um cabreiro que andava guardando um rebanho de cabras, disse um dia à sua patroa, que tinha achado uma boneca muito bonita.
A patroa, que habitava no monte do Touril, disse ao cabreiro:
Então traga-a cá para a gente ver.
No dia seguinte o cabreiro saiu para guardar as suas cabras, de que ele gostava muito, e quando chegou ao local onde tinha achado a boneca, lá estava ela novamente. Apanhou-a, todo contente, colocou-a dentro do alforge onde levava a merenda, e foi mostrá-la à sua patroa. Qual foi o seu espanto quando abriu o alforge para tirar a boneca, e ela não estava lá.
Ora essa, então tenho a certeza que a meti aqui dentro e não está cá? A patroa, disse ao cabreiro para voltar ao local para ver se encontrava a boneca, e que lhe a troussesse.
No dia seguinte, o cabreiro lá foi e encontrou novamente a boneca. Mas desta vez, voltou a colocá-la dentro do alforge, atou-o muito bem para a boneca não sair, e foi para o monte, para a mostrar à patroa. Quando lá chegou, abriu o alforge, e quando ia a puxar por ela, a boneca tinha desaparecido. Foi então que a patroa sensibilizada e apreensiva lhe disse, que era uma Santa.
A notícia rapidamente se espalhou pelas redondezas.
Os devotos, pensaram contruir uma igreja junto a um monte que ali existia, chamado monte das Ermitoas que ficava ligeiramente mais acima da fonte que existia na margem direita da ribeira do Lucefécit. Então os alvenéus deixavam a cal e outros materiais, junto ao monte das Ermitoas. No dia seguinte, quando lá chegavam os alvenéus, a cal estava seca que nem uma rocha, e ainda hoje lá está, enquanto que o resto dos materiais apareciam junto à fonte. Isto aconteceu tantas vezes, que os devotos desistiram daquele local, e decidiram fazer a vontade à Santa, construindo a igreja junto à fonte. E assim, ficou a chamar-se, Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Fonte Santa.
Luís de Matos

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Amigo Dionísio Mendes

S. Tiago Maior
Manuel Romão Mendes – “Ti Romão” (71 anos) Ano 1977
I
Amigo Dionísio Mendes
Cada um na sua arte
Tu roubávas-me na farinha
E eu roubáva-te os tomates.
II
Todos nós temos defeitos
E puros não o somos
Mas tudo o que nós fazemos
Também já nos têm feito
Não acho justo nem há direito
Não sei se assim o entendes
Naquilo que agente vende
Estar a roubar os fregueses
Mas agente fá-lo tantas vezes
Amigo Dionísio Mendes.
III
O criado rouba o patrão
O patrão rouba o criado
Cada um rouba para seu lado
Naquilo que pode deitar a mão
Se alguém disser que não
Está a fugir ao encarte
Não há ninguém que se farte
Que seja rico que seja pobre
Todos roubam o que podem
Cada um na sua arte.
IV
Quando eras principiante
Logo eu comecei a ver
Mais tarde vinhas a ser
Amigo meu semelhante
Todo o homem negociante
Puxa a brasa à sua sardinha
A tua ideia é igual à minha
O meu sentido é igual ao teu
Pois ainda não me esqueceu
Que tu roubávas-me na farinha.
V
Mas eu cá não me ralava
Com o que tu me fazias
Daí a dois ou três dias
Depressa me as pagávas
Das coisas que me compravas
Nem uma vez te escapáste
Deixemos isso de parte
O que eu te digo decerto
É que tu és muito esperto
E eu roubáva-te os tomates.

Ó Velha Aldeia da Serra

Aldeia da Serra
José Ricardo Domingos (57 anos) Ano 1977

MOTE
Ó Velha Aldeia da Serra
Encontras-te modernizada
Quem te conheceu e quem te conhece
Já não te pareces nada
I
Na minha vida de rapaz
Os carros na minha rua
Andavam mais de recuas
Subir não eram capaz
Vejam a diferença que faz
Nesta minha pequena terra
Quem nisto tudo governa
Por mim será lembrado
Aqui me tens ao teu lado
Ó velha Aldeia da Serra.
II
Tens um posto de educação
Todos sabem corrigir
Sem andarem a pedir
Qualquer explicação
De dentro do coração
Por mim és bem estimada
Por ver que não falta nada
P’ra poder assim falar
Em aldeia estás a morar
Encontras-te modernizada.
III
O serviço desta rua
Está feito com perfeição
Eu sou desta opinião
E cada qual terá a sua
Se isto assim continua
Veremos o que acontece
Já falamos para onde apetece
Sem darmos nem um passo
É por isto que eu estendo o braço
Quem te conheceu e quem te conhece.
IV
Tens estradas para viajar
Para outras pequenas aldeias
Muita gente aqui passeia
Já não chegam a ralhar
Quem se ponha a reparar
Estás toda modificada
Estou-te a ver iluminada
Dou-te os meus elogios
Estás uma vaidosa e com brilho
Já não te pareces nada.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Fundamento "A Rainha Santa Isabel" 5.º Episódio

REI D. DINIS 80
Rosas? Em Janeiro?

RAINHA SANTA ISABEL 81
Sim são! Rosas

REI D. DINIS 82
Duvido. Exijo ver.

REI D. DINIS 83
Oh! Bendito Deus.
Parece milagre!...

REI D. DINIS 84
Fiquei mesmo deslumbrado
Não posso compreender
Como isto pode ser
Rosas por todo o lado
Vinha mal intencionado
Cheio de um mau rancor
Troquei ódio por amor
Isabel tu és uma santa
A tua bondade é tanta
Perdoai-me o meu mau humor.

RAINHA SANTA ISABEL 85
Temos que perdoar uns aos
outros meu querido.

REI D. DINIS 86
Valha-me o anjo Rafael
Sinto-me muito doente
Estou mesmo impaciente
Minha querida Isabel
Para mim é como o fel
Se eu tivesse que morrer
O que vem do reino a ser
Pelo nosso filho governado
Até pode não ser respeitado
Sinto o meu corpo a tremer.
(Fala para a Rainha. Está deitado e doente)

RAINHA SANTA ISABEL 87
Meu querido, meu querido Dinis
Não estejas assim a pensar
Deus te há-de melhorar
Eu seria uma infeliz
O nosso querido filho diz
Que te quer pedir perdão
Como tens bom coração
Deve-lhes tudo perdoar
Queres que o vá chamar
Para te beijar a mão?

REI D. DINIS 88
Sim! Vai-o lá chamar
Quero-lhe fazer um esclarecimento
Quero que tenha conhecimento
Como há-de governar
Se eu tiver que findar
Fica ele para me substituir
Deve sempre perseguir
Engrandece a Nação
Sinto-me a diminuir.

RAINHA SANTA ISABEL 89
Vou Já chamá-lo

RAINHA SANTA ISABEL 90
Afonso!

INFANTE D. AFONSO 91
Minha mãe!

RAINHA SANTA ISABEL 92
Vem cá meu filho.

RAINHA SANTA ISABEL 93
Meu filho venho-te chamar
E deves-me obedecer
O teu pai quer-te ver
E também te quer falar
Dever de bem escutar
E cumprires o que ele disser
Livrar-te-á de Lúcifer
Se ao teu pai pedires perdão
Serás o futuro Rei da Nação
Meu filho! Vai, vai a correr.

INFANTE D. AFONSO 94
Sim minha mãe! Irei.

RAINHA SANTA ISABEL 95
Vem meu filho. Aqui.

INFANTE D. AFONSO 96
Meu querido pai, perdão
Perdoa o teu filho amado
Sim eu fui um desvairado
Tinha má compreensão
Tive um mau coração
Era o ciúme a mimar
Hoje já sei perdoar
Já tenho outra idade
Já sinto em mim bondade
A mãe tem me sabido ensinar.

INFANTE D. AFONSO 97
Eu peço perdão a Deus
Pelo meu mão pensamento
Já tenho outro procedimento
Peço perdão pelos pecados meus
Sei que os pensamentos seus
São só para bem de mim
Pai, perdoa-me sim?
Para Deus lhe perdoar
Pai quero-o abraçar
E dar-lhe beijos sem fim.

REI D. DINIS 98
Basta meu filho!

REI D. DINIS 99
Se a ti não te perdoasse
Não perdoava a ninguém
Meu filho considera bem
Eu morreria se não te falasse
Mal de nós se não passasse
Tudo pára neste mundo
Eu quase já moribundo
Pretendo todos perdoar
Ficas tu filho a governar
Ficas tu mandando em tudo.

Estive à uns Anos no Hospital

S. Tiago Maior
Manuel Romão Mendes – “Ti Romão” (71 anos) Ano 1977
I
Oh linda Vila Viçosa
Estás cercada de olival
Ainda p’ra mais grandeza
Tens um Palácio Real.
II
É uma vila importante
É um jardim de beleza
Tem hospital p’ra pobreza
Tem colégio p’ra estudantes.
III
É de todas um encanto
É mais linda que uma rosa
Própria família bondosa
Foi Deus que lhe deu o dom
Tudo quanto tem é bom
Oh linda Vila Viçosa.
IV
Tem uma grande avenida
Ao cimo tem uma igreja
Para que toda a gente veja
Onde ela foi construída
Tem serrações há saída
Tem um lindo carrascal
Muitas quintas ao redor
Mas ainda a melhor
Está cercada de olival.
V
Tem uma grande muralha
Que fizeram os antigos
Para se defenderem dos inimigos
Quando haja qualquer batalha
Devia ter ganho medalha
O inventor da fortaleza
Mas ainda a melhor defesa
Para defender a nação
Tem nossa senhora da Conceição
Ainda p'ra mais grandeza.
VI
Quando o Rei aqui habitava
E um regimento de cavalaria
El-Rei todos os dias
No seu cavalo montava
Suas tropas visitava
Fazendo adeus ao pessoal
Ficou fama em Portugal
De ser a Vila Superior
Ainda para mais valor
Tem o Palácio Real.